29 de junho de 2010

Não tenho Algo a dizer



As palavras, como sempre, fogem em momentos como este. Não falo de palavras vazias, falo daquelas que pesam na alma, confundindo-se com o barulho dos carros, com o grito das crianças no andar de baixo e com as palavras que nada significam, como talvez sejam estas, lidas agora. Minhas mãos tremem, tento entender o que realmente me aflige, o que me faz sentir pesares e desgostos. A verdade é que não quero parar, porque isso me reduziria e confirmaria o Nada que sou... Nada talvez não seja isso mesmo... Nada talvez seja o que viria a ser, não fosse o desespero de não querer sê-lo. Um mundo de ideias quer emergir desta que vos fala, ideias que poderiam fascinar qualquer ser humano desalmado, que procura e desencontra, ou não encontra. E o que é mais engraçado é que, volta e meia, intuo que um “Algo” existe, mas por que provoca tremores ao tentar ser revelado em palavras? O que seria dito? Esse verbo (dizer) precisa ser conjugado naquele futuro, o futuro do pretérito, aquele que nunca existiu e jamais existirá. 

Dear, get rid of this suffering sorrow  Spread love and happiness far and wide, Can't you feel the fragrance from the jasmines? It is...